20151110

Olhos de azeitona.

nunca soube muito de ti,
convenci-me do que era melhor
ficar do lado da cobardia
não aproximar
não perguntar
não ultrapassar
és o monstro que abomino
és o monstro que me moldou
que me ensinou
não sei se te crio
só te ouço
ouço as mulheres a chorar
és o monstro que me quebra
és o ódio que amo
e ao mesmo tempo menosprezo
és o sangue negro
és o cisne podre
és o homem que falhou
erraste os sonhos de uma mãe
um vazio que enches de dor


na realidade nunca te ouvi,
na realidade,
tu não sabes o que é a realidade.

20151031

és uma alma velha
ligas a luz a todo o calor
e em câmara lenta
assistes à tua vida
que contra todas as probabilidades
e previsões do mais desenvolvido previsor do século,
não abranda.

eu sei que querias ver por mais tempo
mas o teu corpo não chega lá
e não há ninguém mais crescido que to dê à mão.
nem eu.
nem eu te abrando a vida.











20151005

"Life is moving, can't you see
There's no future left for you and me
I was holding and I was searching endlessly
But baby, now there's nothing left that I can do so
So don't be blue
There is another future waiting there for you

I saw it different, I must admit
I caught a glimpse, I'm going after it
They say people never change, but that's bullshit, they do

Yes I'm changing, can't stop it now
And even if I wanted I wouldn't know how
Another version of myself I think I found, at last

And I can't always hide away
Curse indulgence and despise the fame
There is a world out there and it's calling my name
And it's calling yours, girl it's calling yours too
It's calling yours too, it's calling yours too, it's calling yours too

It's calling out for you
Arise and walk, come through
Someone beyond that door is calling out for you
Arise and walk, come through
It's calling out for you
Arise and walk, come through
Someone beyond that door is calling out for you"


yup. Let it happen.

20150706

20150602

4 dimensões

Encontrei-te. 
Esperei tanto por ti, 
e agora já não encho o rio
com aquela água triste. 

Já não me saem as palavras que saíam antes
Se antes era a escrever que me entendia a mim 
agora o que escrever aqui, 
será pouco ou nada
para explicar o que me prende a ti.
Como um ar leve e viscoso, 
se é que isso é possível, 
que me prende e dá asas, 
tudo ao mesmo tempo. 

A pessoa que inventa as palavras, 
esqueceu-se do nome desta sensação.
É uma plenitude mais quente, 
um conforto mais promíscuo, 
como se os dois corpos se fundíssem. 
Uma linguagem que não se fala, 
sei o que dizes, mesmo no escuro, 
É uma espécie de mística que orbita, 
que me enebria, 
e me faz perder a noção dos limites do meu próprio corpo.
E para nós nunca é tarde, nem nunca é cedo, 
tudo é urgente,
e no nosso mundo,
voamos sincronizados, 
nestas quatro dimensões que vivemos
e ainda teremos tempo de criar mais umas quantas.